SOBRE AS POLÍTICAS EDUCACIONAIS NO PARANÁ
Leia a obra: "PLATAFORMIZAÇÃO, MILITIARIZAÇÃO E PRIVATIZAÇÃO: faces do adoecimento dos(as) trabalhadores(as) em educação no Paraná"
Este livro nasce da urgência de registrar, analisar e denunciar um cenário alarmante: a deterioração das condições de trabalho e de vida dos(das) educadores(as) da rede pública paranaense. O avanço das políticas neoliberais na educação, a imposição de plataformas digitais à fórceps, a militarização de escolas, o assédio moral, a precarização e a terceirização não são apenas fenômenos administrativos — eles afetam diretamente a saúde mental, física e a própria sobrevivência daqueles e daquelas que dedicam suas vidas ao ensino público.
Os autores(as) evidenciam, com dados empíricos, os impactos que as mudanças estruturais e a sobrecarga de trabalho causam na saúde mental e física dos(das) docentes da educação básica pública paranaense. Em diversos momentos os textos apontam para a necessidade de rever o modelo de gestão escolar adotado pela SEED que enfraquece, sobremaneira, a participação efetiva dos professores da organização didático-pedagógica.
A obra também revela como a plataformização e o currículo oculto esvaziam a essência da formação humana e como a militarização das escolas se converte em instrumento de adoecimento e assédio moral. A cada dia que passa a plataformização é naturalizada descaracterizando a prática pedagógica e, ao mesmo tempo, impondo condições degradantes de trabalho.
A resistência passa, necessariamente, pela organização da classe trabalhadora e a luta sindical é uma dessas formas de resistência. É inadmissível aceitar que praticamente 50% do contingente de professores da rede estadual de ensino do Paraná atuem por meio de contratos PPS precarizados em todos os sentidos. O mesmo ocorre com os agentes escolares terceirizados que, na sua grande maioria, encontram-se invisibilizadosdiante da comunidade escolar.
A obra é fruto de vivências, de pesquisas e de relatos que dão voz ao chão da escola, rompendo o silêncio imposto pela burocratização e pelo sindicalismo de conciliação. Ela articula denúncia e reflexão crítica com novas formas de resistência e luta em defesa da vida.
Mais que uma obra de análise, este livro é, em si, um manifesto de descontentamento e esperança. Ele denuncia, documenta e convoca à ação. A cada página, evidencia-se que resistir é também (re)agir. Não se trata de uma mera opção, mas de uma condição para preservar a educação pública como espaço de liberdade, de crítica, de conhecimento científico qualificado e de emancipação humana.
Geraldo Balduino Horn
